segunda-feira, 21 de setembro de 2009

SONHO DOS HETERÓNIMOS


Agora tenho os heterónimos à perna,
reclamando o que negaram nos anais
- príncipes mortos para a vida eterna –
do mestre, filhos legítimos, cerebrais.

Em resumo, é simples a reclamação:
querem os meus lençóis, notoriedade,
pedem para si equidade n’atenção.
Eu é que não cedo à promiscuidade.

Direi o mesmo a quem quer que seja,
sem cuidar de literatura ou de cautelas.
Desassossego? Sonhos? Inveja?
Não: só uma dor aguda nas costelas…

4 comentários:

  1. Que coerência!

    Surpreendente!

    Isto para não falar da qualidade poética do texto... mas essa já se tornou habitual!

    Um beijo

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  2. É mesmo, faço minhas as palavras da Lídia!
    És demais!
    Cirúrgico!
    Gostei imenso!

    Beijinho

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