Mostrar mensagens com a etiqueta Fazer Caminho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fazer Caminho. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 28 de abril de 2020

SOLSTÍCIO DO BEIJO


Agora que pairam nuvens
sobre um lençol
azul e a brandura da lua
seminua
se insinua é que tu vens
com os teus raios de sol
poisar no rossio
dos meus lábios de azulejo 
frio
dar-me um beijo.

domingo, 26 de abril de 2020

EQUINÓCIO DO BEIJO

                                     Ambrósio: Exposição temática sobre as cerejas Fundão


Quando for Primavera
e as cerejas
ficarem vermelhas
pendentes nas orelhas
a mim quem me dera
se então me beijasses como beijas
em jeito de flor
quando me desejasses
e os teus lábios tivessem o sabor
das cerejas.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

NATUREZA VIVA




Ontem, o chão estava coberto de pétalas
como se tivesse chovido…
Eu sei dos engodos do tempo e sei também que as pétalas
são da beleza o castigo.

Sei, e disso me gabo, dos ardis da natureza…
Gosto das folhas, das flores, da astúcia dos ventos,
mas sei também quem me preza
e de quanto dos ais são lamentos.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

LUA LÁCTEA



A lua além, branca como a neve,
cheia de dúvidas, como eu,
aguardando um céu de estrelas,
segue, em quartos, o caminho.

Que meteorologia nos ensina
o itinerário do sol, um raio de sorte,
que deus acorda as brasas
deste lume brando de cor cinzenta?


segunda-feira, 6 de abril de 2015

NÃO TINHAM MARGENS OS RIOS


Não tinham margens os rios
que te falei
eram itinerários devassados
densos juncos de enfeite
e um mar imenso a que chamava foz

os rios não tinham margens
já o disse
(ou que assim possa defini-las)
era tudo água de improviso
o estuário em que quase morri de sede

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

VOAGEIRO


É certo que voamos
consideravelmente
pela estética dos passos
e a teimosia da gravidade.

É certo que voamos
deselegantemente
pela genética falta
de um par de asas.

É certo que voamos
intermitentemente
pela congénita vontade
de ser como as aves.

É certo que voamos
deslumbradamente
pela fonética magia
das asas dum poema.

É certo que voamos
eternamente
pela patética comiseração
de imitar os homens.

É certo que voamos
hipocritamente
pela técnica apurada.
Mas muito baixo.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

VOLTAS


Não é normal que a gente
passe a vida a pedalar
sem ver o pelotão da frente
par a par.

Não é justo o sol presente
que, em tese, é suposto
ser de toda a gente
e, uma vez à frente,
já é sol posto.

Pedalamos à nossa maneira:
da frente para trás,
de trás para a dianteira,
a mostrar como se faz,
dando gás na bicicleta
com os olhos postos na meta
e os pés na pedaleira.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

DUAS OU TRÊS PALAVRAS SOBRE A DETERMINAÇÃO


Diz-me a vontade que execute
o que a liberdade me priva:
diz-me a vontade que faça; diz-me a liberdade que lute!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

FAZER CAMINHO

Esta impressionante foto a que o Mário Quintas chamou “Vida Dura” sugeriu-me o poema.

Penoso é o caminho até que os braços
se ergam como asas, como espadas.
Quanto falta andar, quantos passos,
quantos trilhos por rochas escarpadas?


A razão diz: “vamos lá, vamos andando”.
Um passo pode bastar para o salto
porém, correndo, nunca fiando…
uma coisa sei: havemos de chegar ao alto.