segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

MONÓLOGO



 

Talvez dissesse sem saber

ou soubesse sem ter dito,

é a língua que arde sem arder

num corpo cheio de infinito.

 

Digo aos soluços ou a fio

o que me soa e tem de ser dito,

a verdade que a sós confio

num corpo cheio de infinito.

 

Vem a chuva e calo, não me atrevo,

ensopado de palavras, dito

de novo calendário e outro acervo,

num corpo cheio de infinito.