Talvez dissesse sem saber
ou soubesse sem ter dito,
é a língua que arde sem arder
num corpo cheio de infinito.
Digo aos soluços ou a fio
o que me soa e tem de ser dito,
a verdade que a sós confio
num corpo cheio de infinito.
Vem a chuva e calo, não me atrevo,
ensopado de palavras, dito
de novo calendário e outro acervo,
num corpo cheio de infinito.
