
Durmo na ponta aguçada duma gota,
afio o sonho enquanto a noite fica pronta,
no extremo em que o sono já não conta
e acordo dentro da gota, sem descobrir a ponta.
Sempre que dos dias, a manhã conta,
começas (não rigorosa) pelo meio e eu por jota,
sem apólice – que as não há de cio – tonta
e sobra tempo para que transborde a gota.
De vós, atento, nem sempre venerador,
salvo o instante dum poema de amor;
os noventa e nove graus que antecedem a fervura.
Confesso-me 43 de pé e poeta sem cura,
cidadão quase sempre avisado da mistura,
não sei se venho a tempo, senhor doutor.
afio o sonho enquanto a noite fica pronta,
no extremo em que o sono já não conta
e acordo dentro da gota, sem descobrir a ponta.
Sempre que dos dias, a manhã conta,
começas (não rigorosa) pelo meio e eu por jota,
sem apólice – que as não há de cio – tonta
e sobra tempo para que transborde a gota.
De vós, atento, nem sempre venerador,
salvo o instante dum poema de amor;
os noventa e nove graus que antecedem a fervura.
Confesso-me 43 de pé e poeta sem cura,
cidadão quase sempre avisado da mistura,
não sei se venho a tempo, senhor doutor.
















