Devolvido à terra, desce vagarosamente
até onde o chão consinta e guarde
e aí fica inerte, que a si mesmo se consente,
morto de versos enquanto a alma arde.
Rosto sereno, sem deixar transparecer
mágoa, dor, sequer malformações do esqueleto,
uma obra prima que a terra há de comer,
simétrico, fazendo inveja a um soneto.
Jaz então. E ainda assim, fingindo a morte,
para que os amantes chorem à vontade
e os falsos juízes, ao jogo, tirem à sorte
os quadros de honra da eternidade.
