sexta-feira, 8 de maio de 2026

NA MORTE DO POEMA 2



Branco, imóvel, ali exposto à curiosidade,

bem-parecido, pelo que dizem agora,

já não brilha, é certo, perdeu o lustro com a idade,

uma perda, uma pena ir assim embora.

 

Mesmo assim, uma espécie de sorriso

envolve-lhe o rosto macerado por melhorias

de última hora, para lhe garantir o paraíso,

que tarde chegaram às suas faces frias.

 

Perdidas as emergentes oportunidades,

arrefeceu, tornou-se inútil companhia,

mas não chorem agora, nem toquem as trindades,

a morte é um momento, até um dia.