quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
EM JEITO DE COMO FOI
Ontem foi uma tarde/noite muito calorosa e simpática na apresentação de Súbita Floresta.
Obrigado, Amigos!
Obrigado, João!
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
LANÇAMENTO/APRESENTAÇÃO DE SÚBITA FLORESTA
No próximo dia 21 (quarta-feira) às 18 horas, na Biblioteca Municipal de Castelo Branco, terá lugar o lançamento de SÚBITA FLORESTA, Enquanto durar a Eternidade.
O livro é editado pela RVJ, Editores e será apresentado por Carlos Semedo.
Aqui deixo o convite para todos os que me quiserem honrar com a sua presença.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
RIO DE MIM
É uma ponte, de ponta a ponta, digamos assim,
que em verdade não obriga a coisa alguma:
metáfora para dizer o que não quero de mim,
e acenar do outro lado: adeus! Em suma,
é como passar de cá para lá sem ter passado,
que para o efeito é não ter feito coisa nenhuma,
ficando aqui inteiro a pensar no outro lado.
Mas se não passar; se não tiver atrevimento,
então terei deixado a imaginação à solta
e sem pressas ou demandas doutro elemento,
com vagar irei até lá ao fundo e dou a volta.
Pode ser que o forçoso rio, de ponta a ponta,
se assoreie e leve o que não faz cá falta
e eu, por fim, não tenha que fazer de conta.
domingo, 11 de dezembro de 2011
REDACÇÃO (A PROFESSORA)
A minha professora
dá-me o mundo inteiro
em números e letras
em troca dos meus sorrisos
e desenhos de borboletas.
A minha professora
tem cabelos compridos
como uma princesa
e os olhos refulgentes
como a natureza.
A minha professora
é linda e eu gosto dela
e ela de mim
não tenho mais palavras
gosto dela porque sim.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
SILÊNCIO
No dizer das aves é que as palavras voam;
No dizer do sol é que as palavras ardem;
No dizer da água é que as palavras choram;
No dizer das árvores é que as palavras florescem.
No dizer todas as palavras morrem.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
A CASA
Não mora quem morou antes,
antes mora quem não morou:
mora a memória que dantes
não se lembrava e mudou.
Mudou para outro lugar
longe ou ao pé da porta.
Mas se a memória mudar,
quem mudou não se recorda.
Recorda que em tempo viveu
longe ou ao pé da porta,
onde o tempo ao tempo deu
e a lembrança não importa.
Agora a casa está morta.
domingo, 4 de dezembro de 2011
PROPRIEDADES DA ÁGUA
A água torna puras as almas
e pedras grandes em pedrinhas,
por isso vê se te acalmas
no rio onde chapinhas.
Teus alvoroços e velas
não te auguram boas medras:
só se, esconso, o diabo ao tecê-las,
te benzer com água das pedras.
e pedras grandes em pedrinhas,
por isso vê se te acalmas
no rio onde chapinhas.
Teus alvoroços e velas
não te auguram boas medras:
só se, esconso, o diabo ao tecê-las,
te benzer com água das pedras.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
(POR UM MILAGRE)
Desisti por isso da inconsequente empreitada
e assentei em coisas mais terrenas e reais:
onde até a transcendente vida airada
faz tempo que é mendiga ou pouco mais.
Porque é disso que os aduladores da esmola
esperam deste povo, eterno sacristão:
espinha dobrada a quem mata e esfola,
mas ai dele se não aspergido, estirado no caixão.
Não passa o camelo a agulha pelo fundo;
levamos nós um par de asas e passaporte,
banidos de contentamento deste mundo,
alcançando enfim o milagre depois da morte.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
POR UM MILAGRE
Um milagre é que me convinha, um qualquer:
daqueles com luz intermitente e em relevo;
não estes de pacotilha, mediáticos, fait divers,
pirotecnias que não dão mecha para o sebo.
Queria dos que extasiam até o mais pintado,
capaz dum argumento com princípio e fim,
em que eu, incitador, protagonizando o diabo,
erradicasse crápulas e vilões com um só plim.
Mas não tenho esse poder, não sou capaz,
e se o tivesse, podendo bani-los até à morte,
outros viriam lestos, estrelas de cartaz,
para os repor em dobro, tal é a minha sorte.
domingo, 27 de novembro de 2011
QUANTO DE MIM AUSENTE
Quase me sento, virado do avesso
e assomo a sombra de ali estar.
Quase, disse, que é avio sem preço,
ou sem posses para pagar.
Acentuo-me grave como àquilo
que julgo ser o meu assento:
reclinado sobre o banco, ao meu estilo,
e respiro para recobrar alento.
Assombração de mim, descuidado?
Não: as sombras são de mim feição,
que em tese dão um tom acinzentado,
mas provam o quanto de mim são.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
BORRÃO SOBRE A4
Quis dar cor a algumas ideias
que, mimosas, nas suas sete quintas,
não tardaram em ficar feias
ou fui eu que carreguei nas tintas.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
A BANCA ABANCA
A banca
abanca
toma assento
à mesa do orçamento
dá razão
ao livro de razão
deve e haver
é seu dever
então denota
que de nota
não é demais
e pede mais
a banca rota
abarrota
no economato
ou morre ou mata
e diplomata
mata
domingo, 20 de novembro de 2011
UM PÁSSARO EM FLOR
Um pássaro em flor
perfuma o canto;
mitiga e, seja como for,
trauteia o pranto.
A beleza ameniza a dor
e enxuga o pranto;
mitiga e, seja como for,
pelo menos não dói tanto.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
AMATO LUSITANO
Haverias de sair para ser gente, gesta
imaculada deste povo crespo e arredio,
que de seu só sabe o quanto presta
se de si mesmo ouvir de outros elogio.
Deram o teu nome à minha escola,
fizeram dele mais coisas de aprender,
Amato. Mas sabe a pouco, cheira a esmola,
pelo muito que há ainda por fazer.
Em estátua tens a verdade nua e crua:
foi-te a vida de saberes e de degredo
e agora, quieto, que apontas para a lua,
há quem insista e te olhe para o dedo.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
MEMÓRIA DE CASTELO BRANCO
Não foi tão diluviana a enxurrada
de há cinquenta anos, nem o tufão
foi coisa de mazela amargurada;
mas aguaceiro fraco também não…
É certo que esbulhou as avenidas
e arrebatou o coreto do passeio
mas, passado o susto fez despedidas,
e logo se dissipou, tal como veio.
Morreu gente, sim, e feridos houve
dos maus ventos em reboliço;
mas também houve povo que não soube
ou não se ateve, ou deu por isso.
Mal sabíamos que, tempo passado,
ressarcidos, haveríamos de ganhar
a polis pós-moderna, qual tornado,
trazendo entulho de volta ao seu lugar.
Se outro vento igual nos castigar,
( longe vá o agouro!) se bem não há-de,
mal já não fará, que nada há para levar,
nem restos de memória da cidade…
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