Canto ao teu compasso,
enlace de flor,
balada de amor
ao som do teu abraço.
Tuas pétalas, por braços
subtis, afinados
são beijos alados,
ardentes compassos.
A guitarra estremece
em afinação,
dá corpo à canção
e a balada, por fim, floresce.
Canto ao teu compasso,
enlace de flor,
balada de amor
ao som do teu abraço.
Tuas pétalas, por braços
subtis, afinados
são beijos alados,
ardentes compassos.
A guitarra estremece
em afinação,
dá corpo à canção
e a balada, por fim, floresce.
O
homem tinha um cão de condição,
um
gato grato por não ser cão
seja
gato, rato, pato, bicho de estimação.
Nem
o cão era gato nem o gato cão
era
um facto, um bicho no chão.
Miava
como um gato ladrava como um cão
sem
pedigree, licença, autorização.
Um
pássaro, um burro, um leão
à
trela e à condição que o homem prendia
com
a aflição de ter um bicho preso à mão.
Era
um gato ou um cão. Uma aflição.
Se
miar é gato, se ladrar é cão.
O
bicho era o dono e ele o figurão.
Cada maçã tem um cesto,
maduras, estão de resto;
uma
não há quem a veja
deus a guarde, no seu esteja.
Com um pé se diz presente
ao pé de qualquer que seja,
com pé atrás se está ausente,
sempre em pé, onde esteja.
Se mete o pé é por azar,
ninguém o faz por gosto
e se o pé ficar no ar
já verdade não é suposto.
Faltar o pé é mais profundo:
perde-se em menos de nada
o pé, a mão, o mundo,
excluindo quem bem nada.
Aos pés juntos é diferente,
venha lá o mais
pintado:
o mais comum entre a gente
é, de pés juntos, deitado…
Nada a reter: cotão nos bolsos
e cabeças ocas, como sempre.
Da vida mal conhecem a sua,
de repente falam, como nunca.
Ouvi-los é maçada. Espremidos,
nem pinga deitam, como sempre.
Fingimento avulso, em lágrimas
de crocodilo manso, como nunca.
Empolados verbos de encher
Inconjugáveis, como sempre.
Alados arcanjos, como nunca,
desprezíveis insectos, como sempre.
Dois
versos
interminavelmente
brancos
seguem
dispersos,
aos
solavancos.
Que
deus lhes valha
em
coisa ruim,
do
mal duma gralha
ou
pecado afim.
Pelo
meio, a compasso,
metáforas
d’ andor,
vão
passo a passo,
e
recitam de cor
versículos,
orações,
a
régua e esquadro;
lamentos,
canções,
ainda
a poesia vai no adro.