segunda-feira, 11 de julho de 2011
ENQUADRAMENTO DO PARDAL
……………………....................pardal
Mestre da evasão é o……….o
que de agilidade não tem falta:
podem, se quiserem, algemá-lo,
que ele dá a volta… e salta.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
FIGOS LAMPOS
O meu amigo Mário Quintas voltou a mandar-me fruta
Plantar figueira é cair,
dá no mesmo a quem tropeça.
Ir aos figos sem os medir
é melhor não cair nessa.
No aspecto, todos amigos
na condição que os convoca:
só que alguns comem os figos
e a outros rebenta a boca…
segunda-feira, 4 de julho de 2011
O ÚLTIMO MILHO
pardais das pedras
ou de quem os prende com perdas
pardais de pronto confronto
com as migalhas
pardais de esperas e de ais
ideais quimeras
são demoras de pardais
a migalha esconde-se na pedra
pródiga na fenda que a consome
e não medra
é por isso que saltam os pardais
é uma dança de fome
deus não dorme é conforme
amanhã há mais
sexta-feira, 1 de julho de 2011
A/C DOS AMIGOS QUE TENHO E QUE ME TÊM
Um dia destes atiro os poemas ao ar
e dou um grito. Não sabereis de tal asneira
pelos jornais, mas antes
por alguém aflito a protestar
pelo entupimento da caleira.
Poesia é os versos
que escorrem do telhado e não os meus papeis
perversos, o pergaminho,
que entopem pingo a pingo
o algeroz do vizinho.
Ah! Atendam a criatura. Por mim
é tarde demais, sem demagogia.
Acudam a quem sofre de sérias aflições,
não aos versos em papel
e literatura afim:
estou nas tintas para qualquer antologia.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
CORRE-CORRE
A vida passa a correr
e nós sempre a bulir,
corremos até morrer;
a vida passa a fugir.
Corremos, ora para ali,
ora para o outro lado:
- ainda agora te vi,
já não lembro ter olhado.
Corre a vida e o tempo
em sentidos opostos:
a vida corre por dentro,
o tempo, p’ra todos os gostos.
Valendo a vida a correr,
sem olhar em redor,
o melhor é não nascer
e dar a vida ao criador…
A vida passa num ai;
o tempo todo, ir e vir:
só o que vai, não vai,
não é correr, é fugir.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
O BELISCO
O obelisco foi finalmente removido
do rim direito do escrutinado ministro.
Contas feitas - o que, por acaso, duvido -
valeu a pena mas não valeu o risco.
Para quem era tão duro de ouvido,
por se lhe ter suicidado o bicho,
do clamor não deu pelo ruído
e agora vai-se por apenas um belisco.
Então não tem outro rim, o ministro?
É surdo? Deixa, nós tratamos disto!
quarta-feira, 22 de junho de 2011
REIS PARTAM!
É rei el rei se for bolo;
reinação, se o rei for tolo.
Abjecto rei de nu vestido;
rei momo é adjectivo.
Todos os reis, reis para tudo;
desde o bacalhau ao Entrudo.
De reis, até ao pescoço,
a quem tem dez reis no bolso
Copas, paus, ouros, espadas:
reis p’ra todas as jogadas
De um tal Midas, o toque
ficou sem rei nem roque.
Reis da rádio telefonia…
Reis partam a monarquia!
sexta-feira, 17 de junho de 2011
quarta-feira, 15 de junho de 2011
segunda-feira, 13 de junho de 2011
AS TARDES
O cabaz de cerejas foi-me enviado pelo meu amigo Mário Quintas. Não o consigo endireitar (na foto) que é como quem diz não o vou levar a sério… Mas isto de cerejas é muito superior às minhas forças. Obrigado Mário. Terei cuidado com os caroços…
Nunca as tomei a sério:lambuzado de poemas, apertava com força
e descuido o sexo das borboletas moribundas
e subia pelas cordas estendidas
na sombra às cerejeiras que suplicavam
o contacto das minhas pernas nuas,
entrelaçadas na frescura seca
dos seus ramos meigos.
Descia
ainda
abraçado
ao tronco,
farto, meio sujo,
com os lábios tingidos de vermelho
e dois cachos de poemas
pendurados nas orelhas.
domingo, 12 de junho de 2011
quinta-feira, 9 de junho de 2011
quarta-feira, 8 de junho de 2011
segunda-feira, 6 de junho de 2011
JOSÉ GOMES FERREIRA
VIANA DO ALENTEJO, 6 DE JUNHO DE 2011
APESAR DA CHUVA TORRENCIAL DE ONTEM, AS PAPOILAS DESTA MANHÃ VERMELHAVAM COMO NUNCA!
Em quantos dos teus livros escrevinhei
cumplicidades, elogios e outras simetrias?
Bebi nos teus versos muito do que sei:
das palavras, das raivas e das alegrias.
Certa manhã, de melíflua luxúria, viajei
para Campolide no carro em que seguias
e, posso garantir-te, também eu reparei
na mulher reclinada na tua companhia.
Da simbiose de murmúrios e protestos,
brotaram ímpias odes e manifestos,
com a ardência de súplica verdadeira.
Criaste versos de chumbo, clandestinos,
com remetente e endereço de destino:
abaixo-assinado, poeta, José Gomes Ferreira.
APESAR DA CHUVA TORRENCIAL DE ONTEM, AS PAPOILAS DESTA MANHÃ VERMELHAVAM COMO NUNCA!
Em quantos dos teus livros escrevinhei
cumplicidades, elogios e outras simetrias?
Bebi nos teus versos muito do que sei:
das palavras, das raivas e das alegrias.
Certa manhã, de melíflua luxúria, viajei
para Campolide no carro em que seguias
e, posso garantir-te, também eu reparei
na mulher reclinada na tua companhia.
Da simbiose de murmúrios e protestos,
brotaram ímpias odes e manifestos,
com a ardência de súplica verdadeira.
Criaste versos de chumbo, clandestinos,
com remetente e endereço de destino:
abaixo-assinado, poeta, José Gomes Ferreira.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
MIGUEL TORGA
Lá onde, pé descalço, rude e pensativo,
como torga rubra , urze transmontana,
deixa ver se mesmo assim consigo
menos severidade e um pouco mais de gana:
tantas as andanças e versos crespos,
enterrados na voragem do dia a dia,
fica o quê, exemplos em forma de textos?
Pois nada consta em otorrinolaringologia.
Vejamos: o mundo é mundo faz tempo.
Quando chegaste, voltaste ao seu início
com que ideia foi, a não ser matar o vício?
Não vejo outra razão ou planta ou vento,
se não o remédio e o veneno ao mesmo tempo,
como se a vida fosse da morte o sacrifício.
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