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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

POEMA DATADO



Não dato este poema
de Água Derramada
porque não estou lá,
perto de Grândola.

Tampouco de Nova Iorque
porque nunca lá passei,
bem como da Lua,
que vejo sempre daqui.

Este poema leva
uma data de tempo
em que permaneço
por aqui, no universo.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

DESTA ÁGUA BEBEREI


Há coisas que nunca farei,
por exemplo: correr atrás de galinhas.
Não faz o meu género
e ainda menos o delas.

Na capoeira, que é o seu lugar,
na panela, que é o seu destino,
mas num poema para quê
se apenas eu esgravato?

Nunca me tinha acontecido
galinhas invadirem-me um poema
(primeira e última)
Vou correr com elas de vez.



terça-feira, 11 de dezembro de 2012

AI, POESIA


Não tenho o direito de dar à luz
todos os poemas que construo
entre as veias e a memória
(creio que é por aí…)

Muitos ficam irreconhecíveis;
aguados de náufragos vocábulos,
onde as palavras socorristas
não chegam ou não lhes podem valer.

Chega mesmo a acontecer
ao verso afoito e já metáfora
perder o poema, ainda a caminho,
algures, preso ao âmnio preguiçoso.