quarta-feira, 30 de setembro de 2026

TUDO E NADA


Tudo é sim e não no vasto mundo

e tudo se molda e acostuma:

um grão de areia, no sentido mais profundo,

é tudo e coisa nenhuma.

 

O muito é pouco de quem tem;

o nada, que é uma porção de coisa pouca,

uma arma carregada de mal e de bem,

que dispara para matar à queima-roupa. 


 

terça-feira, 29 de setembro de 2026

AS VOLTAS DO POEMA



Poesia é um céu azul permanentemente,

excepto, por genuíno feitiço,

se revolta cotra a corrente

sem o poeta dar por isso.

 

Quando tudo acalmar, o verso e o poeta,

é que se verá a fantasia

na sua forma mais concreta,

se o verso se transformar em poesia.


quarta-feira, 23 de setembro de 2026

A MORTE PELAS OLIVEIRAS


As oliveiras nunca morrem;

nascem para ser eternas, como estrelas.

Quando as oliveiras se forem

saberemos da nossa morte com elas.

 

Ainda assim, acenderemos lanternas,

dizem, em sua fátua lembrança,

talvez em covis ou em cavernas:

toquem os sinos, siga a dança.