O caminho é feito de tempo e horas: ganha-se todo tempo de uma vida; perdem-se horas em esperas e demoras e, feitas as contas, é a hora da partida. E nós damos corda ao passatempo como num relógio os ponteiros, caminhando a compasso com o tempo: e viva o velho, vivos e inteiros!
a bolina inventada à pressa, nada, e tudo se parece com Abril distante?!
Nada, nada, nada, não temos nada! Que rio ou mar nos falta descobrir, para onde nos empurra esta levada, se não temos céu nem sítio onde ir?! Nada, nada, nada, não temos nada! Excepto a voz, ninguém aqui é mudo. Então posso dizer-te amigo, camarada, ergue tua voz e de novo teremos tudo!
coisa que empertigava quem na rua nos via daquele jeito, em tal contentamento. Era mau tempo, de cortinas entreabertas, dos mil termos proibidos, dos mil segredos, mas nós éramos contra tabus e medos e não sabíamos das coisas erradas ou certas. Houve um tempo, houve uma ocasião, em que festas e beijos eram o nosso melhor, depois, bem, depois foi de mal a pior e já não nos olhávamos nem dávamos a mão…
Que não vejo senão veredas de cardos; ao sul somente o sol da solidão. A mentira é causa híbrida sem saída deitada à terra, que se atira à cara, seca de semente e fruto, inconcebida, onde o sol e o sul brilhavam na seara. Terra onde as papoilas detêm sonhos e o sol ao sul brilhando ainda nos meus olhos.
aí não me meto nem me mato. O ator veste ou é, de fato? que acordo é este; que desiderato?! Perdoem a redação, a confusão ou estorvo: não é minha intenção nem estou de acordo.
desenhando círculos no espelho da água e a praia cobriu-se duma espessa e incorruptível bruma naquele dia o velho búzio não era mais que uma crisálida de névoa em vésperas de música
E é já na próxima sexta-feira, dia 26, pelas 18 horas, no Auditório da Biblioteca Municipal, o lançamento do meu livro de poemas POSSIBILIDADE DE AGUACEIROS. Aqui dou conta da respectiva capa (desdobrada). Sobre o conteúdo dirá a Drª. Cristina Granada e todos vós... Até lá.
Dos príncipes lustrosos e perfilados, com discurso ampliado e já revisto, vamos ouvindo falas em tons ultra irados e mais não fazem, não passam disto. Cambalhotas de puro divertimento em palcos de renome e bom registo, disso fazem, se a tanto for o atrevimento mas, como já disse, não passam disto. Antes foram estes os mestres do embuste, depois, no costumado rendez-vous previsto, negam a própria mãe, ainda que lhes custe, para voltar ao mesmo, não passam disto. Chamem-lhes salvadores, messias, Cristo: negam, juram; juram, negam e não passam disto.
já não ordena mãos ao ar, mata por outro processo. Agora veste cambraia, invólucro de popelina e é com essa indumentária que esmaga, mente, assassina. Eles aí estão de novo, Com suas carinhas de santos, sugando as veias ao povo para dar o sangue aos bancos.
Catarina foi uma lição do que hoje podemos ser: juntemo-nos, demos a mão e juntos iremos vencer!
já se não é de si dono e passa-se a noite em branco. Há três gerações que é o isto: faz-se da vida um tamanco, a investir, a correr riscos, vai-se a ver, sai tudo branco.
Não é normal que a gente passe a vida a pedalar sem ver o pelotão da frente par a par. Não é justo o sol presente que, em tese, é suposto ser de toda a gente e, uma vez à frente, já é sol posto. Pedalamos à nossa maneira: da frente para trás, de trás para a dianteira, a mostrar como se faz, dando gás na bicicleta com os olhos postos na meta e os pés na pedaleira.
por isso vê se te acalmas no rio onde chapinhas. Teus alvoroços e velas não te auguram boas medras: só se, esconso, o diabo ao tecê-las, te benzer com água das pedras.
se decresce é crescente e se cresce já não vem. Inspira uivos aos lobos oculta-se na água dos poços: encanta os tolos; engana os moços. Bateu certo por uma vez nas fases e voltas que tem, na hora no dia e no mês da novena de minha mãe.