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segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

À CHUVA


Às vezes chove e eu vejo essa água molhar-te,

impiedosa. Na cidade é assim: a chuva molha

cruelmente as pessoas, desfigura-as

até se confundirem com a desumana chuva.

 

Aqui, na horta que frutifica na minha memória,

é uma bênção. Podia chover o ano inteiro,

que seria sempre bem-vinda a água. E mais não digo,

enquanto não estiver completamente enxuto.  


 

terça-feira, 6 de agosto de 2019

SONHO

Camila Loureiro

Quando à noite sonho que o sol se deita a meu lado
fico imóvel para não acordar a minha fantasia.
Levanto-me depois e o sol já lá não está:
remanesce, guardado na manhã de todos, lá bem no alto,
onde ninguém se atreve a roubar-mo,
não vá eu ficar sem sonhos e dormir às escuras.