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terça-feira, 30 de agosto de 2011
A RONDA DOS DEMÓNIOS
Os demónios cercam-me a casa. É seu costume.
Os deuses deixaram de o fazer há algum tempo.
Mas não o fazem por inveja ou por ciúme;
apenas porque é o tempo agora o seu momento.
Tentam-me, espiam-me, induzem-me consentimento
a tudo o que é fácil, descartável e a bom preço,
e eu já farto de promessas, quase não argumento,
deixando que se convençam do jeito que lhes pareço.
O resto é fácil: como se faz às pulgas, entalam-se
entre as unhas dos polegares. É o mais comum.
Remédio santo: perdem de vez o pio; calam-se
à vez – a fila dos novíssimos arcanjos – um a um
e, mortos-vivos ou acabrunhados, danam-se
por não lhes vender a alma por preço algum.
domingo, 28 de agosto de 2011
MODO DE SER
Nem sempre divago além do ponto
onde a sombra se me assemelha:
mesmo sendo inevitável o confronto,
raramente acende a luz vermelha.
Dizem que é ser fraco, pouco ousado
deixar acerejar o ânimo sem reagir.
Mas aposto singelo contra dobrado
qual de nós será o primeiro a cair.
De tanto me fazer a vida negra
a cáfila inteligente da mó de cima,
faz de tal vileza a sua obra prima.
Eu vou tentando de forma íntegra
sem grande pressa e, por via de regra,
um modo mais seguro para a arrima.
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