Mostrar mensagens com a etiqueta Flores. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Flores. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

MALMEQUER


Malmequer a vida inteira,
bem me quer a pura flor.
Este mal, queira ou não queira,
é, meu bem, um mal menor.

Bem me quer eternamente,
o bem querer adivinhado.
Com o bem, bem pode a gente;
com o mal é que é o diabo…

Pior, mas muito pior,
por cada pétala arrancada
para em vão buscar amor:
- mal me quer, muito, pouco, nada.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

NATUREZA MORTA


Teve tudo para ser rosa,
a rosa tudo teve para sê-lo
no aparador de vidro,
no solitário de cristal.

As pétalas, porém,
foram traindo, caindo…
Ainda é uma rosa, hoje,
na memória que dela sobrou.

Amanhã ponho outra flor.

domingo, 16 de junho de 2019

GERÂNIOS


Nascem por aqui e por ali, os gerânios,
órfãos da soleira da porta…
suplicam um momento de atenção,
seduzem pela cor e pelo atrevimento.

Ninguém os plantou naquele lugar,
são voluntários. Estão por sua conta.

À noitinha caminham pelas ruas
e de manhã cedo aquietam-se junto às casas,
cumprimentando quem passa,
como se ali tivessem permanecido a vida inteira,
julgo que é assim que acontece.

Os gerânios não sabem se haverá amanhã,
mas se houver, será um bom dia para viver.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

MALVAS


Às malvas, é dito vulgar,
como coisa sem valor.
Não é justo assim falar
de tão generosa flor.

Serena flor, benigna rama,
- nunca o diria se não fosse -
e não se livra da fama:
o seu chá faz bem à tosse.

Outrossim para a malícia,
mas aqui com outro fito,
dizem ser uma delícia,
aguar de malvas o dito.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

FLORES À JANELA


Da janela vejo flores e elas
a olharem para mim
debruçadas em janelas,
que só elas o fazem assim.

Sinto o perfume das flores
como tranças de uma fada;
respiro-as e cheiro as cores,
mesmo não cheirando a nada.

Fico suspenso, preso a elas,
como o caule que as alteia:
cortejam-me do alto das janelas
e eu saúdo-as com a mesma ideia. 

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

OLAIAS


Quase nem me apercebia
desta beleza pendente:
cachos de flores, nem os via,
em orgia florescente…

Se Judas, em seu lugar,
baixasse do tronco robusto,
lá se ia o meu olhar
e não ganharia p’ró susto…

São lustres de ornamento,
se não acreditardes, olhai-as,
que à vista dão alimento
e luz ao espírito, as olaias.

domingo, 22 de abril de 2018

JARRO


Jarro, que escolha tão severa
tem a flor airosa e original…
Alva, altiva e não austera
como cálice de carne sensual.

Só pode ser por crueldade:
para vaso basta onde é criado.
Jarro não, antes majestade
das flores, príncipe encantado.

E se a noiva aceita o seu alvor
e o leva junto ao peito ao altar,
então, a nobreza desta flor
mais se alteia, mais nos pode dar…


segunda-feira, 5 de junho de 2017

ALOENDRO



Se me enganas recorrendo
a poses de virgem ardente,
chamar-te-ei aloendro,
que mata traiçoeiramente.

Os panos de popelina
das pétalas que te esboçam,
são para mim a morfina
que os meus lábios adoçam. 

Ainda assim fico tentado,
tal é a embriaguez,
não vá de tal ficar augado,
pois só se morre uma vez…

quarta-feira, 24 de maio de 2017

FLOR DA CEREJEIRA

              Foto Olga Mendes


Pendiam da cerejeira
franzinas flores rosadas,
quais estrelas aladas
em alegre brincadeira.

Ou seriam mariposas
em rituais festejos,
cobrindo a árvore de beijos,
de afectos ansiosas.

Pela candura que têm,
valha a verdade instante,
são o sinal triunfante
das cerejas que aí vêm.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

O DESPLANTE DA FLOR


desplante:
a planta
em flor
desponta

a planta
pronta
em flor
de espanto
ou despique
de amor

suplanta
pétala
a pétala
ou seja lá o que for

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

BRINCOS


(Na primeira pessoa, brinco
e vou afinando a aselha
que, vistosa, no sujeito finco,
em prévio buraco na orelha…)

É aparente o erro gramatical,
pois a flor, só por si é bem capaz
de me lembrar o bem e o mal
das minhas brincadeiras de rapaz.

Então, corsários e cavalheiros,
no tempo semiótico das reguadas,
salteávamos os expostos canteiros
para os dar depois às namoradas.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

GIRASSOL


todos ao sol
todos por um
girassol

um girassol
um por todos
ao sol

há sempre algum
girassol
em sítio nenhum.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

LIGUSTRO


Revelo que apanhei um susto
com a tua graça tão estranha:
com esse nome, ligustro,
julguei que estava em Espanha…

Mas não, era cá, quase sem
sair de casa. Que surpresa!
Eu, que te olhei com desdém,
para agora te trazer presa.

Por supuesto que me gustas,
muito mais que a outras tais
- não tomes estas por injustas –
gosto de uma muito mais.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

FLORES DE MIM


Ai flores, cujo rescender
me colhe por mariposa,
dai-me tempo e a ver
quanto o meu voo não ousa.

Coberto de cores e flores
como anjo querubim,
mais as mágoas e dores
que brotam dentro de mim.

Voarei num golpe d’asa
sobre pétalas e poemas,
mesmo sem sair de casa
e em vez de asas ter penas.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

OLAIAS ou Árvore-de-Judas


Quase nem me apercebia
desta beleza pendente:
cachos de flores, nem os via,
em orgia florescente…

Se Judas, em seu lugar,
baixasse do tronco robusto,
lá se ia o meu olhar
e não ganharia p’ró susto…

São lustres de ornamento,
se não as tocais, olhai-as,
que à vista dão alimento
e luz ao espírito, as olaias.

sábado, 18 de julho de 2015

CAMPAINHAS


Tocam campainhas p’rá folia
ao sol que oferece este maná:
é a primavera por um dia,
se amanhã é prima, se verá.

Obras-primas, com certeza,
 as orquestrais sinfonias
das pautas da natureza
na primavera dos dias.

Cheira a terra, o prado aquece,
bamboleiam  rosadas esquilas
(agora, o que não é, parece:
confesso que posso ouvi-las…)

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

ALFORRIA


Decrépita folha de águas já passadas,
jaz à sede; à míngua de atenção;
morta de mil vidas exaladas.


Prostrada, como folha seca e sem função,
não longe das demais, alpendoradas,
ei-la fruto ileso, liberto e chão.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

CHORÃO


Por que choras tu, criatura,
que mal te fazem, que é de ti?
Quem ousa disputar a tua alvura
teus sois, como nunca vi?

Bem vejo, as flores são amarelas…
Mas que diabo, passa ao lado.
A vida não é só telenovelas,
Não é só choro, não é só fado.

Presumo, fazem de ti capacho!
É o que temos, não se educa…
Mas se o preço é ficar por baixo,
tal não paralisa a nossa luta!

domingo, 31 de agosto de 2014

FLORES DE PAPEL

Campo Maior

Não é o papel o celebrado,
é de flores que aqui se cura;
exultam como o céu estrelado,
lavando as ruas d’amargura…

Matizam o chão e o olhar
de cores vivas só de as ver,
que dá vontade de chorar
por contento de viver.

As mãos que lhes deram vida
são mãos delicadas de fada,
que em cada folha esculpida
nos dão sol e vida airada…

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

LILÁS


Que flor é esta, assim-assim,
com o nome da coloração?
Os lilases deste jardim,
cores ou flores, o que são?

Neste enigma aparente
entre o ser e o que assemelha,
as dúvidas ficam p’ra gente
e todo o mel para a abelha…