Além da chita, o riscado
na borda da tenda pendentes
em dia de mercado:
são pobres os clientes.
Mas há lá coisa mais sã
que um casaco de surrobeco
ou burel, que é autêntica lã;
não é qualquer farrapeco…
Para o dia de mercado,
pano cru de metro e quarenta,
que o povo quere-se tapado
ainda assim, a ver se aguenta.
De sarjas grossas e cotins
também se gastam na feira;
gangas e tecidos afins
para os de parca algibeira.
Popelinas e tafetás são
lordes das prateleiras,
panos de outra condição,
não são trapos para feiras.
O mesmo de sedas e rendas,
que aqui nem é bom falar…
Isso é doutras encomendas,
Não serve p’ra trabalhar.
Na feira de assentido engano
onde não há pontos sem nós,
enquanto uns tecem o pano
o tecido faz-nos a nós.