Interrompo a série “anexim quebrado” para homenagear José Saramago, falecido hoje. Não sei o que dizer. Sinto que todos ficamos mais pobres, incluindo os que assim não julgam. Segunda-feira voltarei ao tema que hoje tinha iniciado.
Gosto das palavras sem mente como brisa breve bravo gosto da palavra semente porque nasce cresce vence gosto da palavra somente se me ocorre corre e morre nem tanto se mente
Afastada a hipótese de que o seu início coincidiu com intermináveis festins e orquestras sobrenaturais onde apenas os címbalos tinham lugar concluiu-se por que são insensíveis à gamela onde bebem para matar a sede de azias físicas
só é pena que nem todos reajam da mesma forma quando se lhes passa a mão sobre o pêlo
Com uma pequena inflexão de patas a libélula deu por si a meio dum triplo picou depois e a meia altura planou ao sabor de um fio de aragem quase mel
foi num daqueles ramos avulsos que poisou por instinto e se reviu pela última vez no charco ao fundo o tempo preciso para duas lágrimas exactas se chorar é arte dos que um dia voam a vida por extenso
Cavei a terra à força de braços, rasguei corgas e deixei grossos e fecundos sulcos, onde depois plantei as palavras e outros frutos de estimação.
Passou o tempo; a colheita estava aí à minha espera: alcancei, em braçados, os meus pomos. E se neles há agora literatura, foi a porfia, porque em mim sempre li terra dura.