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sábado, 19 de dezembro de 2015

ÁRVORE DE NATAL


A ventania de ontem à noite
tombou uma azinheira centenária, em frente da minha casa.
O fôlego da tempestade,
em contraste com o seu já débil alento, 
foi superior às suas forças. Respirava ainda quando a vi:
arrastando a ramagem
e os escassos frutos no chão molhado,
suplicava o impossível conserto da sua coluna vertebral.
Não chorava – tanto quanto eu pudesse perceber – suplicava
a mão, o gesto ou apenas o olhar
a quem sempre a julgou eterna e eterna haveria ser
depois de nós e ainda dos que viessem.
Com um dos ramos tocou-me ao de leve.
Pareceu-me uma carícia, um aceno
ou o desejo de lançar nova raiz,
agora que a morte tornava inevitável a remoção.
Aceitei o ramo como presente.
A velha azinheira ofereceu-me a sua eternidade.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

AS ÁRVORES


As árvores não choram quando nascem; guardam as lágrimas para mais
tarde. Estendem os braços aos pássaros que nelas nidificam e aos homens
dão frutos, mortalha e lições de filosofia.

terça-feira, 28 de maio de 2013

SÚBITA FLORESTA



Braços e pernas tornaram-se maleáveis e baloiçavam ao sabor da aragem. Apesar disso caminhava ou, se o quisermos dizer de forma mais apropriada, chegavam a todo o sítio, assim fosse o seu desejo.

As pequenas correntes de ar, por entre os troncos, produziam sons, agradáveis melodias e o céu, que antes era o limite, é agora um lençol de cambraia acolhedor.

À medida que o sonho avançava, todo o seu corpo se transformava em novas sensações. Desta vez acertou o passo do subconsciente com o bem-estar. Não precisaria de acordar para fugir àquela novidade tão deliciosa.

O último pensamento registado ia nesse sentido: tomara toda a sua longa vida ter sentido uma pequena amostra daquilo que neste instante sente em todo o seu corpo transformado.

Meditava: Sou uma árvore sem espécie ainda definida. Dentro de mim há seiva bastante para desenvolver um tronco forte, ramos longos e frondosos, folhas como mãos de afago e frutos doces em seu tempo. As minhas raízes vão afundar-se e vou sentir a terra alimentar-me as minhas inúmeras bocas. Darei acolhimento a todos os rebentos que brotarem no meu corpo e no meu chão. Do sol, mais que o calor e a luz, extrairei a vida. Hei-de acolher os pássaros, assistir à sua criação e à partida das novas gerações para longe, tal como eu, continuamente nos seus bicos.

excerto de Súbita Floresta

domingo, 26 de agosto de 2012

SÚBITA FLORESTA


Excerto de Súbita Floresta:

As árvores não choram quando nascem; guardam as lágrimas para mais tarde. Estendem os braços aos pássaros que nelas nidificam e aos homens dão frutos, mortalha e lições de filosofia.

(Este post servirá de separador para um conjunto de poemas sobre outros poetas, que João Corvo insiste em publicar, e me massacra diariamente para que assim proceda.)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

EM JEITO DE COMO FOI




Ontem foi uma tarde/noite muito calorosa e simpática na apresentação de Súbita Floresta.
Obrigado, Amigos!
Obrigado, João!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

LANÇAMENTO/APRESENTAÇÃO DE SÚBITA FLORESTA

No próximo dia 21 (quarta-feira) às 18 horas, na Biblioteca Municipal de Castelo Branco, terá lugar o lançamento de SÚBITA FLORESTA, Enquanto durar a Eternidade.

O livro é editado pela RVJ, Editores e será apresentado por Carlos Semedo.

Aqui deixo o convite para todos os que me quiserem honrar com a sua presença.